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Hidratante para pele sensível: o que procurar na lista de ingredientes

Para a pele sensível, escolha um creme sem perfume (e não apenas «sem cheiro») com ingredientes hidratantes simples, como glicerina, ácido hialurónico, ceramidas e manteiga de karité. Teste cada produto novo numa pequena zona da pele durante 7 a 10 dias e mantenha uma rotina curta.

Por Savvas Nicolaides · · 6 min de leitura

Uma pincelada de creme branco sobre um fundo cinzento-claro
Foto: Jocelyn Morales / Unsplash

Se a sua pele arde, fica vermelha ou dá comichão com a maioria dos produtos, o melhor hidratante é normalmente o mais simples: sem perfume, com alguns ingredientes hidratantes bem conhecidos, como glicerina, ácido hialurónico, ceramidas e manteiga de karité. A lista de ingredientes (INCI) na embalagem diz-lhe mais do que o marketing na frente. E antes de pôr algo novo na cara, experimente-o numa pequena zona da pele durante alguns dias.

O que significa «pele sensível»?

Não é um diagnóstico médico. Segundo a DermNet, é um termo do dia a dia para uma pele que tolera pior os cosméticos e os produtos de higiene pessoal. Em inquéritos, cerca de metade das mulheres e 4 em cada 10 homens dizem ter pele sensível.

Costuma manifestar-se por ardor, sensação de queimadura ou comichão, por vezes com vermelhidão ou secura. Muitas vezes afeta apenas a cara, em especial as pálpebras. Um produto que não incomoda as mãos pode, mesmo assim, incomodar a cara.

A «pele sensível» pode também esconder situações que precisam de um médico, como rosácea, eczema ou uma alergia a um ingrediente específico. Se tem uma doença diagnosticada, ou sintomas que não passam, a pessoa certa a consultar é um dermatologista. Este artigo é sobre os cuidados diários com a pele, não sobre tratamento.

Porque é que o perfume é a primeira coisa a verificar?

Porque os ingredientes de perfume estão entre as causas mais frequentes de reações alérgicas por contacto com a pele. Segundo a DermNet, a alergia ao perfume só fica atrás da alergia ao níquel e afeta cerca de 1% dos adultos. Em 2011, o Comité Científico da Segurança dos Consumidores (CCSC) da UE identificou 82 substâncias perfumantes reconhecidas como alergénios de contacto, incluindo 28 extratos naturais.

Duas coisas que vale a pena saber:

  • «Natural» não significa «suave». Os óleos essenciais e os extratos de plantas também contêm substâncias perfumantes que podem causar alergia.
  • «Sem perfume» e «sem cheiro» não são a mesma coisa. A American Academy of Dermatology (AAD) explica que um produto «sem cheiro» pode conter substâncias químicas que disfarçam o cheiro de outros ingredientes, e estas podem irritar a pele sensível. Procure «sem perfume».

Como ler a lista de ingredientes (INCI)?

A lista é obrigatória em todos os cosméticos na UE e usa denominações internacionais. O que procurar:

1. «Parfum» ou «Fragrance». Se a vir, o produto contém perfume, natural ou sintético.

2. Nomes de alergénios do perfume. Segundo o Regulamento dos Cosméticos, certas substâncias perfumantes têm de ser indicadas individualmente quando ultrapassam 0,001% em produtos sem enxaguamento (como um creme) ou 0,01% em produtos com enxaguamento. Exemplos comuns são linalool, limonene, citral, geraniol, citronellol, eugenol e coumarin. Se um teste de contacto mostrou que é alérgico a uma delas, é aqui que a vai encontrar.

O Regulamento (UE) 2023/1545 alarga a lista de substâncias perfumantes que têm de ser indicadas no rótulo. Os novos produtos têm de cumprir a partir de 31 de julho de 2026, e todos os produtos nas prateleiras a partir de 31 de julho de 2028. Por isso, nos próximos anos verá mais nomes nos rótulos, o que ajuda as pessoas com alergias.

3. Óleos essenciais. Costumam ser indicados pelo nome latino da planta seguido de «oil», por exemplo Lavandula Angustifolia Oil. Se a sua pele reage com facilidade, prefira produtos sem eles.

4. Álcool. A AAD aconselha as pessoas com pele seca a evitar produtos que contenham álcool (alcohol denat.) e perfume.

Que ingredientes são úteis?

Para a pele seca, a AAD sugere cremes que contenham um ou mais destes ingredientes:

  • Glicerina e ácido hialurónico (ou hialuronato de sódio): atraem e retêm a água à superfície da pele.
  • Manteiga de karité, óleo de jojoba e dimeticone: amaciam a pele e reduzem a perda de água.
  • Vaselina (petrolatum) e óleo mineral: formam uma camada fina que retém a humidade, embora algumas pessoas os achem pesados para a cara.

Também verá muitas vezes ceramidas na lista (ceramide NP, ceramide NG e outras). São lípidos naturalmente presentes na camada mais externa da pele, e muitos cremes para pele sensível contêm-nas.

A AAD refere ainda que os cremes hidratam mais do que as loções. Para a pele muito seca, um creme mais rico é normalmente a melhor escolha.

Na prática, um bom ponto de partida é um creme leve que combine ácido hialurónico, ceramidas, manteiga de karité e óleo de jojoba, sem perfume e sem conservantes. Para a pele muito seca, uma versão mais rica com ácido hialurónico e manteiga de karité, também sem perfume, pode ser mais adequada.

Como testar um produto novo?

A AAD sugere um teste simples, em casa, antes de pôr algo novo na cara:

  1. Aplique um pouco de produto numa zona do tamanho de uma moeda onde não vá ser esfregado, como a parte interior do antebraço ou a dobra do cotovelo.
  2. Repita duas vezes por dia durante 7 a 10 dias, usando a quantidade que usaria normalmente.
  3. Se não houver vermelhidão, comichão nem inchaço, pode usá-lo.
  4. Se houver reação, lave-o suavemente e não o volte a usar.

Isto não é o mesmo que os testes de contacto que um dermatologista faz para descobrir a que substância é alérgico. Se reage a produtos com frequência e não sabe porquê, vale a pena pedi-los.

Porque é melhor usar menos produtos?

Cada produto novo é mais uma possível fonte de irritação. A DermNet refere que as pessoas com pele seca usam muitas vezes vários produtos ao mesmo tempo para tentar melhorá-la, e podem acabar com irritação por causa deles. Para a pele sensível, a DermNet sugere um produto de limpeza suave sem sabão, um hidratante não irritante e proteção solar.

Uma rotina simples:

  • De manhã: limpeza suave ou só água, hidratante, protetor solar.
  • À noite: limpeza suave, hidratante.
  • Um produto novo de cada vez, para que, se algo o incomodar, saiba qual foi.

Verificação rápida na prateleira

  • Diz «sem perfume», e não apenas «sem cheiro»?
  • A lista não tem «parfum» nem óleos essenciais?
  • Contém glicerina, ácido hialurónico, ceramidas ou manteiga de karité?
  • É um creme e não uma loção fluida, se a sua pele for muito seca?
  • Experimentou-o primeiro numa pequena zona da pele?

Quando consultar um dermatologista

Se tem eczema, rosácea ou outra doença diagnosticada, se a vermelhidão ou a comichão não passam quando deixa de usar um produto, se surgem bolhas, inchaço ou erupção, ou se reage a quase todos os produtos. Um dermatologista pode encontrar a causa e dizer-lhe o que evitar. Um hidratante é um cosmético e não substitui um tratamento.

Perguntas frequentes

Os produtos «hipoalergénicos» são seguros para mim?

A palavra «hipoalergénico» não garante que não vai ter uma reação. É mais útil ler a lista de ingredientes, evitar o perfume e tudo o que sabe que o incomoda, e fazer o teste de 7 a 10 dias.

Posso usar o mesmo creme de manhã e à noite?

Sim. Muitas pessoas com pele sensível usam um creme leve de manhã, por baixo do protetor solar, e o mesmo, ou um mais rico, à noite. Menos produtos significa menos hipóteses de irritação.

O que significa «testado ao níquel» (nickel tested)?

Que o fabricante verificou se o produto tem vestígios de níquel. O níquel é a causa mais frequente de alergia de contacto, por isso esta indicação interessa sobretudo a quem sabe que é alérgico a ele.


Fontes: Regulation (EC) 1223/2009 on cosmetic products (Article 19 and Annex III), Commission Regulation (EU) 2023/1545 (labelling of fragrance allergens), DermNet, Sensitive skin, DermNet, Fragrance allergy, American Academy of Dermatology, Dermatologists' top tips for relieving dry skin, American Academy of Dermatology, How to test skin care products.

Este artigo é apenas informativo e não substitui o aconselhamento de um médico ou farmacêutico.

Fontes oficiaisEFSA, OMS e legislação da UE
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